terça-feira, 29 de julho de 2008

Morreste-me

Morreste-me.
Lembro os momentos vividos, as palavras doces, as esperanças de amor e felicidade. Lembro o teu olhar a esbarrar no meu, as tuas mãos nas minhas, a tua pele na minha pele, o teu calor, a tua voz, a tua boca… essa boca onde tantas vezes mergulhei e me deixei naufragar. Morreste-me.
Ficaram as lembranças e uma tristeza que me consome.
É um luto diário, pesado, dorido.
Morreste-me.
Não te enterrei, não vi o teu corpo sem vida, não senti a tua luz apagar, não pude dizer-te adeus e olhar-te uma vez mais.
Mas morreste-me.
Foi uma morte trágica, inesperada, repentina e devastadora, assim como foi o nosso amor.
Morreste-me.
E não tenho onde deixar flores, onde ir chorar a tua morte, nem ninguém entende o meu pesar.
Morreste-me.
Mas eles dizem-te vivo, que estás bem e perto…
Não entendem que me morreste, que partiste, que não estás perto, que não vais voltar nunca mais. Eles não sabem, eles não vêem, não sentem como eu sinto, não te perderam como eu te perdi.
Morreste-me.
É essa a verdade.
Recuso-me a aceitar-te vivo, não és tu, não podes ser tu. É só alguém que se parece contigo aos olhos deles e eles não sabem…

Eles não vêem que esses olhos não têm o brilho dos teus, que essa voz não tem o sentimento e o encanto da tua, que essas palavras são vazias e ocas, que jamais dirias o que ele disse, jamais farias o que ele fez, jamais fugirias como ele fugiu.
Morreste-me, sim.
Foi a morte na sua forma mais cruel, sem aviso, sem adeus, sem esperança.
Guardo o teu túmulo em mim, bem fechado e silencioso.
Morreste-me...
E uma parte de mim… morreu contigo…

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades

Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.
Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.
(Vinicius de Moraes)
Estou num intervalo, sim.
Sinto-me nesse momento parado, quase inútil de quando estamos a ver um bom filme e nos obrigam a esperar "séculos" de publicidade dolorosa até à próxima parte.
O que mais me entristece é que os intervalos estão a ficar cada vez mais longos, cada vez mais difíceis de passar...