domingo, 7 de dezembro de 2008
...silêncio...
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Perdoar o passado
Cada pessoa que passou pela nossa vida, assim como as experiências que a vida nos trouxe, foram importante para o nosso crescimento.
Existe um ditado budista que diz: "Se queres saber como foi o teu passado, olha para quem és hoje. Se queres saber como vai ser o teu futuro, olha para o que estás a fazer agora".
O tempo não pára. O tempo não espera por ninguém.
Esperamos demais para fazer o que precisa ser feito, num mundo que só dá um dia de cada vez, sem nenhuma garantia do amanhã.
Não devemos deixar que a vida nos escorra por entre os dedos, vivendo no passado ou no futuro: duas ilusões (uma morta, outra inexistente), em que o principal tempo de vida se perde.
Não podemos dar uma oportunidade ao passado para se perpetuar senão não teremos futuro. Devemos deixar o passado no passado, não dizer mal dele. Não lamentar o dia de ontem, ele está no passado e nunca irá mudar. Devemos sim, consciencializarmo-nos dos erros e aprender a sofrer as consequências.
Não existem recompensas nem castigos, o que existe são consequências.
"Nunca atires uma bola na vida se não estiveres pronto para a receber. A vida não dá nem empresta; não se comove nem se apieda. Tudo quanto faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos" (Albert Einstein).
"O ser humano é um aprendiz, a dor é o seu mestre. Ninguém se conhece enquanto não sofrer" (Johnny De' Carli).
Só temos êxito na vida quando perdoarmos os erros e as decepções do passado, aos outros e a nós mesmos.
Quando se perdoa, não só fazemos sair um grande peso dos ombros, como abrimos a porta para o amor por nós próprios.
Os fracos nunca perdoam, o perdão é uma característica dos fortes.
Perdoar é um acto de amor e sempre foi boa solução.
O amor, não o tempo, cura todas as feridas.
Now will you pick another?
What will you get into?"
It's time to let it go...
:)
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
O sorriso aos pés da escada
A história de Augusto, um palhaço famoso que vive entre aplausos, risos, êxtase do público, mas que ainda assim não é feliz.
Augusto esconde-se no anonimato e encontra a felicidade nas pequenas tarefas, nas pequenas coisas da vida, no sorriso genuíno dos outros, num simples olhar agradecido.
Descobre que só podemos ser felizes sendo nós mesmos, sem máscaras, sem futilidades. O êxtase do momento, a alegria eufórica, os risos estridentes, o sucesso e a fama nada são senão ilusões...
A verdadeira felicidade está dentro de nós, no que realmente somos, nas pequenas alegrias da vida que muitas vezes nos passam ao lado, num sorriso sincero e agradecido de alguém, num sorriso... :)
Recomendo, sem dúvida.
Um ambiente acolhedor e familiar e uma mensagem que tocou bem cá dentro, no quentinho do coração.
Obrigada Pi e Sjr pela partilha deste momento.
Na vida, por vezes, os acontecimentos mais significativos caem-nos em cima sem darmos por isso, tal como a aproximação silenciosa de um gato selvagem. Como é que podemos não ter reparado numa coisa de tal importância? É que a camuflagem é psicológica.
A negação, o acto de não ver o que é evidente, porque na realidade não se quer ver, é o maior dos disfarces. Adicione-se a isto a fadiga, as distracções, racionalizações, fugas mentais e todas as outras preocupações da mente que se erguem no caminho.
Felizmente, a persistência do destino pode arredar os disfarces e fazer-nos ver aquilo que precisamos de ver (...)
O monge e filósofo budista vietnamita, Thich Nhat Hanh, escreve sobre como apreciar uma boa chávena de chá. Temos que estar totalmente despertos no presente para apreciar chá. Apenas com a consciência no presente, as nossas mãos podem sentir o agradável calor da chávena. Apenas no presente podemos apreciar o aroma, sentir a doçura e saborear a delicadeza. Se estamos a ruminar sobre o passado ou preocupados com o futuro, perderemos por completo a experiência de apreciar a chávena de chá. Olharemos para a chávena, e o chá terá já terminado.
A vida é assim. Senão estamos totalmente no presente, quando olharmos à nossa volta este terá desaparecido. Teremos perdido a sensação, o aroma, a delicadeza e a beleza da vida. Parecerá ter passado a correr por nós.
O passado terminou, aprendamos com ele e deixemo-lo ir.
O futuro ainda não está aqui. Planeemos, sim, mas não gastemos o tempo a preocuparmo-nos com ele. A preocupação é uma perda de tempo.
Quando pararmos de ruminar sobre o que já aconteceu, quando pararmos de nos preocuparmos com o que poderá nunca vir a acontecer, então estaremos no momento presente.
Só então começaremos a alegria de viver.
("Só o amor é real", Brian Weiss)
sábado, 15 de novembro de 2008
Espalhem a notícia!
Espalhem a notícia do que é quente e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Divulguem o encanto, o ventre de que canto
a pele onde à tardinha desemboco tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
A terra tremeu ontem, não mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio transbordou
e o tremor que anunciava era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou
Depois de entre os escombros ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança!
Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra basta,
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós...
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Metade de mim
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que o homem que eu amo seja sempre amado, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida
e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso
e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesma se torne ao menos suportável
Que o espelho reflicta no meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor
e a outra metade... também.
(Adaptação de "Metade" - Oswaldo Montenegro)
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Há dias assim
Estes dias invernais dão-me cabo do espírito, enclausuram-me, deprimem-me.
Ficar em casa não me ajuda nada, sinto cá dentro uma energia que vai aumentando, aumentando, aumentando e que preciso libertar.
Aventurei-me e fui.
O vento alvoraçou-me os cabelos e o frio procurava caminho no meu pescoço.
Enrolei o lenço e enterrei o capuz. Tudo bem atado num falso sentimento de protecção.
Passo a passo.
Era um deserto de pessoas compensado por uma multidão de aves.
Passo a passo.
O chilrear, o grasnar e o piar confundiam-se com a música que saía dos phones.
Outro e outro passo.
Andei, olhei, senti.
Parecia tudo tão calmo, tão tranquilo, tão meu... só meu...
Passos e mais passos.
Parei e sentei-me.
Fiquei a olhar o horizonte, o voo dos pássaros e os meus pensamentos pareciam embarcar nas águas do Tejo, devagar, flutuando, longe, dormentes... Sem dor, sem mágoa, sem calor, sem emoção, sem nada. Dormentes.
O vento que corta como uma lança. Um pingo gelado na testa, outro na ponta do nariz. Levantei-me.
Os passos mais firmes, mais fortes.
A música, os passos, os pingos de chuva... tudo parecia cadenciar-se num só ritmo.
O vento e a chuva despenteada, um pingo aqui, uma gota ali.
O capuz começa a descair e o lenço a alargar... eu não me importo.
As gotas de chuva molham-me a cara e confundem-se com lágrimas, lágrimas que já não tenho, que já não sinto.
Cai o capuz e soltam-se as pontas do lenço, o cabelo ao vento e a cara molhada.
Os passos de corrida, o coração bate... sinto-o bater, oiço-o.
A chuva, o vento, os passos, o coração, a música.
Estou forte, decidida, despenteada, molhada.
Sei quem eu sou, sei o quero e sei para onde vou.
O vento, o frio, a chuva não me incomodam... refrescam-me.
O inverno que desponta não me mete medo, dá-me a certeza que lá na frente está o verão.
E é esse o meu destino, é esse o meu caminho, lá onde as noites são quentes, o céu estrelado, onde o calor aquece a pele e o coração, onde o sol brilha e todos nos recebem num sorriso.
:)
sábado, 25 de outubro de 2008
Solidão
Hermann Hesse
Tenho uma capacidade intuitiva que nunca me permiti explorar ora por medo, ora por "descrença". A verdade é que, desde o final de 2007, intui que o ano de 2008 iria ser muito especial e traria consigo mudanças inesperadas... o que de facto veio a acontecer (e o ano ainda não acabou...).Uma relação de anos e anos terminou, vivi intensamente uma paixão assolapada (pouco correspondida) e vi-me sozinha.
Esta solidão que vi de início como algo desastroso, catastrófico, desesperante... deu lugar a uma paz incrível, serenidade, busca de auto-conhecimento, de algo maior, mais intenso, mais espiritual.
Acredito em sinais (continuo a acreditar), sei que nada acontece por acaso e que tudo tem um propósito maior para acontecer. Se formos sinceros, verdadeiros, fiéis a nós próprios conseguimos ver o caminho a seguir e entender os "porquês".
Tenho tido vários "chamamentos" que de início ignorei mas que por fim resolvi aceitar. O que nos rodeia é bem mais que aquilo que vemos, há uma força maior, há uma energia maior, há um poder maior.
Recusei aceitar a minha solidão porque a via como algo negativo, e nessa negação fiz o que os putos fazem:
- rodear-me de amigos, muitos e muitos amigos, mesmo aqueles que não via há anos e foi bom... muito bom. Foi bom revê-los, reconhecê-los, estar com eles, divertir-me com eles, recordar com eles, ser feliz com eles (fez-me correr o país, Porto, Coimbra, Santarém, Faro, Évora...);
- ir a jantares, lanches, almoços com amigos ou colegas ou conhecidos ("tudo" servia para me afastar a ideia da solidão);
- ser "louca" de fazer actividades radicais (com putos ainda mais putos que eu...);
- ir a concertos, sair à noite, beber uns copos (coisa que não fazia também há muito tempo...) Fechei-me na multidão, na companhia, na agitação, como se precisasse de provar a alguém ou a mim própria que não estava só, que me divertia e curtia como a "malta". Foi uma resposta imatura, mas que todos passamos por ela, todos precisamos dessa fase para perceber que o caminho não é por aí. É claro que foi uma fase divertidíssima, animada, cheia de risos, gargalhadas, adrenalina, que me fez retomar contacto com pessoas tão importantes para mim, me fez conhecer umas especiais (outras nem tanto...) e me fez muito bem ao ego.
A luz atingiu-me e percebi que a vida deu-me esta solidão para mim, para eu me reencontrar, para eu me descobrir, para perceber onde cheguei, quem sou, para onde quero ir, o que quero fazer e o que quero ser. Tenho assimilado esta solidão e entendo-a agora como uma necessidade. É agora uma solidão construtiva, reflexiva e tranquila.
Na busca de mim mesma encontrei e conheci pessoas especiais, iluminadas, profundas, com maneiras de ver a vida e o mundo bem mais próximas da minha, que entendem que não quero nem preciso encontrar "alguém" para ser feliz, que as pessoas que entram e ficam no nosso caminho são as que estão destinadas e verdadeiramente valem a pena, que o único "alguém" que eu tenho de encontrar sou eu... depois, tudo o resto se harmoniza, tudo o resto virá.
Se a vida me deu esta solidão, tenho de tirar o melhor partido dela e o tempo que passo comigo mesma não me incomoda, faz-me crescer.
domingo, 21 de setembro de 2008
Voar
Voámos!É quase indescritível, uma sensação mágica, única...
Primeiro: a expectativa, a ansiedade, o nervosismo.
Segundo: a queda! o grito! a adrenalina total! intensidade, vento, sentes-te o dono do mundo.
Terceiro: planar... o silêncio, a paz súbita. parece tudo tão calmo, quase irreal e o mundo está aos teus pés...
Quarto: aterragem. a pulsação está acelerada como nunca te lembras, doem as bochechas de tanto sorrir, a cabeça não sabe se é ou não real.
Quinto: a calmia... o corpo fica dormente, a cabeça leve... não pensas, só sentes... um espírito novo, tranquilo, a satisfação, os olhos que brilham... parece que tiveste uma intensa noite de sexo/amor (parece mesmo)
Sexto: a memória. revives, sentes-te feliz, queres voltar de novo (um dia, quem sabe, talvez), depois disto já nada será como antes, a perspectiva muda, fica mais alargada, os problemas são pequenos, desafiaste a morte, viste o mundo de cima, tocaste nas núvens... nada mais interessa, sentes um egoísmo saudável, és feliz e és tu que contas.
Olha B, sem ti dificilmente concretizaria este "sonho" (e sei que é reciproco).
Obrigada pela companhia deste voo e de outros voos que temos arriscado.
A vida é bela, há que vivê-la intensamente e aproveitar cada pequena oportunidade para se ser feliz!
O melhor para ti.
;)
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Felicidade
O que é a felicidade? Porque andamos todos à procura dela? Vêmo-la como um remédio milagroso, a cura para os nossos problemas, a solução final para uma vida triste sem sabor.
A felicidade é um modo de vida, é algo que temos já dentro de nós. Não é uma "coisa" que surgirá como por magia se tivermos isto ou aquilo, se formos aqui ou além, se conseguirmos ter estas coisas, encontrar estas pessoas ou entrar naquele lugar.
Andamos constantemente a "adiar" a felicidade, ficamos à espera... a eterna espera de um milagre, que algo maravilhoso aconteça e não conseguimos ver (verdadeiramente ver) todas as maravilhas que nos rodeiam, todas as pessoas incríveis que existem nas nossas vidas, todos os momentos fantásticos que muitas vezes deixamos passar ao lado.
Ficamos "presos" àquilo que não conseguimos, deixando de ver tudo aquilo que temos.
Valorizamos as "coisas" que não são nossas e esquecemos que somos mais, que somos maiores que isso.
Às vezes, só depois de uma tragédia entendemos o que realmente precisamos, o que realmente nos faz falta, quem é realmente importante. No final da linha, o que nos resta são os afectos.
Há que viver todos os dias intensamente, saboreá-los e partilhá-los com quem realmente interessa e se interessa, perceber que a felicidade não é a meta, mas sim o caminho.
Por isso, façam o favor de serem felizes... hoje, agora!
Minha querida S, obrigada por estares na minha vida, sei que estás a passar uma fase menos boa, mas que vais descobrir a felicidade no teu dia-a-dia, é um exercício diário. Estás no meu blog (olhos de pura felicidade), no meu flickr (já te viste, não é?), nos meus pensamentos e no meu coração.
Um pensamento especial também para ti G. As coisas não estão fáceis (eu sei), mas estas adversidades fortalecem-nos e obrigam-nos a ver. Sabes que estou contigo... vai tudo correr bem porque tu, sem dúvida, mereces o melhor.
Há pessoas que choram por saberem que as rosas têm espinhos; outras há que sorriem por saberem que os espinhos têm rosas ;)
domingo, 17 de agosto de 2008
O que fica de nós
Hoje fui com a minha mãe ao cemitério.Os meus avôs (já falecidos) nasceram os dois por esta altura, fomos até lá para lhes "dar" umas flores de presente.
Eu sinceramente não sou muito de cemitérios, esta "adoração" de campas, os santinhos e as flores depois da morte, para mim, não fazem muito sentido, mas respeito e até colaboro nesse ritual.
Reparei que na maioria das lápides escreveram à memória.
Realmente é a memória o que fica de nós, é a memória que deixamos nos outros que faz de nós quem nós fomos e que nos faz ser lembrados.
Uma das curiosidades desta memória post mortem é que, na maioria das vezes, apenas deixamos ficar as coisas boas e apagamos cordialmente as más recordações, os episódios mais tristes e infelizes... guardamos o bom.
O ser humano é realmente estranho...
Em vida zangamos, brigamos, chingamos, amuamos, deixamos de falar a amigos, "pintamos o diabo a sete"... mas morrer aproxima-nos da santidade e dá-nos o direito ao perdão quase absoluto.
Porquê?
É triste. Muito triste. Tão triste para os que vão, que partem sem saber que os amamos e que são importantes para nós, como para os que cá ficam, que não curtem verdadeiramente a companhia dos que partiram.
Porque não conseguimos apagar, perdoar e esquecer em vida? Porque não guardamos só o bom?
Eu não consigo ficar zangada com ninguém, nem pouco, nem muito tempo... simplesmente não consigo. Sou eu quem dá muitas vezes "o braço a torcer" e nem sempre sou quem deveria dar... mas dou. E nunca me arrependi de dar... nem o braço, nem o coração.
Quem me morre sabe o que leva de mim, sabe o que significou para mim.
Quando eu morrer não quero coroas nem palmas, não quero uma multidão no meu funeral, não quero campas enfeitadas, nem lápides com pensamentos profundos, nem tão pouco quero amor, arrependimentos e saudade.
Quero receber flores, quero companhia, quero escutar e ver coisas bonitas, quero ouvir: "gosto de ti", "desculpa", "perdoo-te", "tenho saudades", "queres ir comigo?", "vamos sair", "vou passar por tua casa", "vamos à praia?", "estava mesmo agora a pensar em ti", "fazes-me falta"... dos amigos, da família, dos amores... mas em vida.
Quando eu morrer sei que o que ficará de mim será a memória.
A minha memória não precisa de nada.
Mas eu preciso... agora.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Morreste-me
Morreste-me.Ficaram as lembranças e uma tristeza que me consome.
É um luto diário, pesado, dorido.
Morreste-me.
Não te enterrei, não vi o teu corpo sem vida, não senti a tua luz apagar, não pude dizer-te adeus e olhar-te uma vez mais.
Mas morreste-me.
Foi uma morte trágica, inesperada, repentina e devastadora, assim como foi o nosso amor.
Morreste-me.
E não tenho onde deixar flores, onde ir chorar a tua morte, nem ninguém entende o meu pesar.
Morreste-me.
Mas eles dizem-te vivo, que estás bem e perto…
Não entendem que me morreste, que partiste, que não estás perto, que não vais voltar nunca mais. Eles não sabem, eles não vêem, não sentem como eu sinto, não te perderam como eu te perdi.
Morreste-me.
É essa a verdade.
Recuso-me a aceitar-te vivo, não és tu, não podes ser tu. É só alguém que se parece contigo aos olhos deles e eles não sabem…
Eles não vêem que esses olhos não têm o brilho dos teus, que essa voz não tem o sentimento e o encanto da tua, que essas palavras são vazias e ocas, que jamais dirias o que ele disse, jamais farias o que ele fez, jamais fugirias como ele fugiu.
Morreste-me, sim.
Foi a morte na sua forma mais cruel, sem aviso, sem adeus, sem esperança.
Guardo o teu túmulo em mim, bem fechado e silencioso.
Morreste-me...
quarta-feira, 16 de julho de 2008
O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades
Tudo de amor que existe em mim foi dadoTudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito