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domingo, 21 de setembro de 2008

Voar

Voámos!
É quase indescritível, uma sensação mágica, única...
Primeiro: a expectativa, a ansiedade, o nervosismo.
Segundo: a queda! o grito! a adrenalina total! intensidade, vento, sentes-te o dono do mundo.
Terceiro: planar... o silêncio, a paz súbita. parece tudo tão calmo, quase irreal e o mundo está aos teus pés...
Quarto: aterragem. a pulsação está acelerada como nunca te lembras, doem as bochechas de tanto sorrir, a cabeça não sabe se é ou não real.
Quinto: a calmia... o corpo fica dormente, a cabeça leve... não pensas, só sentes... um espírito novo, tranquilo, a satisfação, os olhos que brilham... parece que tiveste uma intensa noite de sexo/amor (parece mesmo)
Sexto: a memória. revives, sentes-te feliz, queres voltar de novo (um dia, quem sabe, talvez), depois disto já nada será como antes, a perspectiva muda, fica mais alargada, os problemas são pequenos, desafiaste a morte, viste o mundo de cima, tocaste nas núvens... nada mais interessa, sentes um egoísmo saudável, és feliz e és tu que contas.

Olha B, sem ti dificilmente concretizaria este "sonho" (e sei que é reciproco).
Obrigada pela companhia deste voo e de outros voos que temos arriscado.
A vida é bela, há que vivê-la intensamente e aproveitar cada pequena oportunidade para se ser feliz!
O melhor para ti.
;)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Felicidade

Como dizia Saint-Exupéry: Para que haja uma árvore florida, é preciso haver antes uma árvore; e, para haver um homem feliz, é preciso haver em primeiro lugar um homem.

O que é a felicidade? Porque andamos todos à procura dela? Vêmo-la como um remédio milagroso, a cura para os nossos problemas, a solução final para uma vida triste sem sabor.
A felicidade é um modo de vida, é algo que temos já dentro de nós. Não é uma "coisa" que surgirá como por magia se tivermos isto ou aquilo, se formos aqui ou além, se conseguirmos ter estas coisas, encontrar estas pessoas ou entrar naquele lugar.
Andamos constantemente a "adiar" a felicidade, ficamos à espera... a eterna espera de um milagre, que algo maravilhoso aconteça e não conseguimos ver (verdadeiramente ver) todas as maravilhas que nos rodeiam, todas as pessoas incríveis que existem nas nossas vidas, todos os momentos fantásticos que muitas vezes deixamos passar ao lado.
Ficamos "presos" àquilo que não conseguimos, deixando de ver tudo aquilo que temos.
Valorizamos as "coisas" que não são nossas e esquecemos que somos mais, que somos maiores que isso.
Às vezes, só depois de uma tragédia entendemos o que realmente precisamos, o que realmente nos faz falta, quem é realmente importante. No final da linha, o que nos resta são os afectos.
Há que viver todos os dias intensamente, saboreá-los e partilhá-los com quem realmente interessa e se interessa, perceber que a felicidade não é a meta, mas sim o caminho.
Por isso, façam o favor de serem felizes... hoje, agora!

Minha querida S, obrigada por estares na minha vida, sei que estás a passar uma fase menos boa, mas que vais descobrir a felicidade no teu dia-a-dia, é um exercício diário. Estás no meu blog (olhos de pura felicidade), no meu flickr (já te viste, não é?), nos meus pensamentos e no meu coração.
Um pensamento especial também para ti G. As coisas não estão fáceis (eu sei), mas estas adversidades fortalecem-nos e obrigam-nos a ver. Sabes que estou contigo... vai tudo correr bem porque tu, sem dúvida, mereces o melhor.
Há pessoas que choram por saberem que as rosas têm espinhos; outras há que sorriem por saberem que os espinhos têm rosas ;)

domingo, 17 de agosto de 2008

O que fica de nós

Hoje fui com a minha mãe ao cemitério.
Os meus avôs (já falecidos) nasceram os dois por esta altura, fomos até lá para lhes "dar" umas flores de presente.
Eu sinceramente não sou muito de cemitérios, esta "adoração" de campas, os santinhos e as flores depois da morte, para mim, não fazem muito sentido, mas respeito e até colaboro nesse ritual.
Reparei que na maioria das lápides escreveram à memória.
Realmente é a memória o que fica de nós, é a memória que deixamos nos outros que faz de nós quem nós fomos e que nos faz ser lembrados.
Uma das curiosidades desta memória post mortem é que, na maioria das vezes, apenas deixamos ficar as coisas boas e apagamos cordialmente as más recordações, os episódios mais tristes e infelizes... guardamos o bom.
O ser humano é realmente estranho...

Em vida zangamos, brigamos, chingamos, amuamos, deixamos de falar a amigos, "pintamos o diabo a sete"... mas morrer aproxima-nos da santidade e dá-nos o direito ao perdão quase absoluto.
Porquê?
É triste. Muito triste. Tão triste para os que vão, que partem sem saber que os amamos e que são importantes para nós, como para os que cá ficam, que não curtem verdadeiramente a companhia dos que partiram.
Porque não conseguimos apagar, perdoar e esquecer em vida? Porque não guardamos só o bom?
Eu não consigo ficar zangada com ninguém, nem pouco, nem muito tempo... simplesmente não consigo. Sou eu quem dá muitas vezes "o braço a torcer" e nem sempre sou quem deveria dar... mas dou. E nunca me arrependi de dar... nem o braço, nem o coração.
Quem me morre sabe o que leva de mim, sabe o que significou para mim.
Quando eu morrer não quero coroas nem palmas, não quero uma multidão no meu funeral, não quero campas enfeitadas, nem lápides com pensamentos profundos, nem tão pouco quero amor, arrependimentos e saudade.
Quero receber flores, quero companhia, quero escutar e ver coisas bonitas, quero ouvir: "gosto de ti", "desculpa", "perdoo-te", "tenho saudades", "queres ir comigo?", "vamos sair", "vou passar por tua casa", "vamos à praia?", "estava mesmo agora a pensar em ti", "fazes-me falta"... dos amigos, da família, dos amores... mas em vida.
Quando eu morrer sei que o que ficará de mim será a memória.
A minha memória não precisa de nada.
Mas eu preciso... agora.