Sou uma "giver". Sou uma pessoa que dá.
Gosto de dar, faz parte de mim, é assim que eu sou.
Estou sempre lá quando precisam, dou a mão, o ombro, o colo, dou carinho, dou amor, dou aquele abraço, dou o meu tempo, palavras amigas, a minha companhia, o meu silêncio, o meu sorriso, a minha força, a minha boa disposição, a minha alegria.
Sou assim. Com todas as cabeçadas que tenho levado na vida, sou assim... e parece que não vou mudar.
Considero-me uma pessoa feliz a dar.
Quando dou algo de mim, é dado, verdadeiramente dado. Não é empréstimo, nao é a esperar algo em troca, é mesmo de presente.
Mas há alturas (é raro, mas acontece) em que me sinto mais "down", menos bem disposta, menos feliz, em que não me sinto com capacidade de dar...
Essas alturas são muito duras. Não me sinto eu mesma, fico sem forças e qualquer entrave me faz cair.
Esse é o tempo em que sinto falta de alguém ao meu lado, perto de mim, que dê algo também... bastava-me um ombro ou um colo ou um abraço e muito silêncio.
Hoje é um desses dias.
Não me sinto com capacidade para dar nada a ninguém, sinto-me triste, desanimada e só.
E hoje o mundo não me quer, não me aceita, não me ajuda.
Silêncio...
Será que só sirvo para dar? Será que não sirvo para receber?
Silêncio.
Hoje preciso que olhes por mim, que me dês a mão, que me ajudes a levantar.
Hoje preciso de ti.
Silêncio.
Está alguém aí?
Silêncio.
Ninguém?
Silêncio...
3 comentários:
Ao ler este teu texto também eu fiquei em "silêncio"...pq referes coisas q eu tb sinto...e cada vez mais!
Mas tudo é uma questão de tempo...e o silêncio, mais tarde ou mais cedo, acaba por dar lugar a sons de felicidade.
Bjos
Pedro
Vou ficar a "ouvir" com atenção :)
Faço ruído e eco. E respondo por teres aparecido, e amor com amor se paga. Muito paralelismo nas nossas almas. Gostei. Reflectindo: E talvez sejamos todos iguais, talvez padeçamos dos mesmos males, talvez tenhamos os mesmos sentimentos, talvez tenhamos dentro de nós as mesmas emoções e sensações..Pena é que ao expressar-nos não o demonstremos aos outros, por omissão ou por inépcia. Não acho que seja falta de vontade, quiçá seja como dizia o Alberto Caeiro e vejamos o mundo com lentes de cores diferentes, ou numa visão mais pessoal, estejamos em diferentes comprimentos de onda. As ondas chegam, por vezes não são é decifradas correctamente, ou batem na carapaça, na nossa bolha, no nosso Mundo...
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