Hermann Hesse
Tenho uma capacidade intuitiva que nunca me permiti explorar ora por medo, ora por "descrença". A verdade é que, desde o final de 2007, intui que o ano de 2008 iria ser muito especial e traria consigo mudanças inesperadas... o que de facto veio a acontecer (e o ano ainda não acabou...).Uma relação de anos e anos terminou, vivi intensamente uma paixão assolapada (pouco correspondida) e vi-me sozinha.
Esta solidão que vi de início como algo desastroso, catastrófico, desesperante... deu lugar a uma paz incrível, serenidade, busca de auto-conhecimento, de algo maior, mais intenso, mais espiritual.
Acredito em sinais (continuo a acreditar), sei que nada acontece por acaso e que tudo tem um propósito maior para acontecer. Se formos sinceros, verdadeiros, fiéis a nós próprios conseguimos ver o caminho a seguir e entender os "porquês".
Tenho tido vários "chamamentos" que de início ignorei mas que por fim resolvi aceitar. O que nos rodeia é bem mais que aquilo que vemos, há uma força maior, há uma energia maior, há um poder maior.
Recusei aceitar a minha solidão porque a via como algo negativo, e nessa negação fiz o que os putos fazem:
- rodear-me de amigos, muitos e muitos amigos, mesmo aqueles que não via há anos e foi bom... muito bom. Foi bom revê-los, reconhecê-los, estar com eles, divertir-me com eles, recordar com eles, ser feliz com eles (fez-me correr o país, Porto, Coimbra, Santarém, Faro, Évora...);
- ir a jantares, lanches, almoços com amigos ou colegas ou conhecidos ("tudo" servia para me afastar a ideia da solidão);
- ser "louca" de fazer actividades radicais (com putos ainda mais putos que eu...);
- ir a concertos, sair à noite, beber uns copos (coisa que não fazia também há muito tempo...) Fechei-me na multidão, na companhia, na agitação, como se precisasse de provar a alguém ou a mim própria que não estava só, que me divertia e curtia como a "malta". Foi uma resposta imatura, mas que todos passamos por ela, todos precisamos dessa fase para perceber que o caminho não é por aí. É claro que foi uma fase divertidíssima, animada, cheia de risos, gargalhadas, adrenalina, que me fez retomar contacto com pessoas tão importantes para mim, me fez conhecer umas especiais (outras nem tanto...) e me fez muito bem ao ego.
A luz atingiu-me e percebi que a vida deu-me esta solidão para mim, para eu me reencontrar, para eu me descobrir, para perceber onde cheguei, quem sou, para onde quero ir, o que quero fazer e o que quero ser. Tenho assimilado esta solidão e entendo-a agora como uma necessidade. É agora uma solidão construtiva, reflexiva e tranquila.
Na busca de mim mesma encontrei e conheci pessoas especiais, iluminadas, profundas, com maneiras de ver a vida e o mundo bem mais próximas da minha, que entendem que não quero nem preciso encontrar "alguém" para ser feliz, que as pessoas que entram e ficam no nosso caminho são as que estão destinadas e verdadeiramente valem a pena, que o único "alguém" que eu tenho de encontrar sou eu... depois, tudo o resto se harmoniza, tudo o resto virá.
Se a vida me deu esta solidão, tenho de tirar o melhor partido dela e o tempo que passo comigo mesma não me incomoda, faz-me crescer.



